Mas eu vou comer o que?


Por Nadia Cozzi
Imagens: Pixabay

Uma coisa me causa preocupação hoje em dia: o nível de especialização quando se fala em Alimentação Saudável.

A maioria da população ainda nem despertou para esse assunto e conceitos como orgânicos, transgênicos, intolerâncias, ultra processados, veganismo, etc etc, vêm sendo usados corriqueiramente, como se já fossem de conhecimento geral.

Há bem pouco tempo fiz uma palestra numa Universidade de prestígio para turmas de Gastronomia e Nutrição, eram conceitos básicos sobre Orgânicos, Transgênicos e Industrializados. Muitos me perguntaram, mas porque não ensinam isso para nós? Pois é, porque não ensinam? Talvez porque os próprios professores não saibam....


Aliás falando em professores, uma das alunas veio conversar comigo, porque esse era o caminho que ela pretendia seguir em sua carreira, mas quando disse isso a um professor ele retrucou “Ih, então você vai ser mais uma daquelas que ficam reverenciando o Sol? (Oi?)

Aí, fico imaginando aquele “serhumaninho” entupido de refrigerante, fast food e salgadinhos, bombardeado diariamente pela publicidade das indústrias de produtos alimentícios, prometendo felicidade, amor, amizade, status. E que se encontra neste momento, ou por vontade própria ou por razões de saúde, querendo iniciar uma mudança em sua alimentação, por onde ele começa?

Ah... muitos vão dizer “procure um médico ou uma nutricionista”. Mas estamos no Brasil cada vez mais inacessível à saúde! E digo mais, vários desses profissionais estão diariamente na TV, indicando drogas ou shakes, prometendo milagres ao nosso “serhumaninho”! E nós sabemos que mesmo que obtenha resultados, não estará promovendo sua mudança para uma qualidade de vida melhor.

A saída então é a Internet, bota no Google, e como por encanto milhares e milhares de pessoas falam sobre alimentação saudável (detesto essa palavrinha, ela é usada para tudo hoje). 

E é um tal de tira o glúten (mas o que é glúten?), tira o leite, tira a carne, tira a gordura, tira o açúcar. Tira... tira... tira. Dieta isso, dieta aquilo....

E lá está nosso “serhumaninho” completamente perdido. Mudanças drásticas nunca são produtivas, sempre um passo de cada vez.

Adianta proibir bolo de chocolate para uma criança? Mas eu posso criar um bolo de chocolate melhorzinho, fazendo inicialmente pequenas mudanças.

Escolhemos um ovo caipira, com sua gema amarela e brilhante, parece um sol! Uma farinha fininha, se possível orgânica, vem se juntar ao sol. Acrescento banana amassada nessa massa, que além de ser uma fruta, ajuda a adoçar. Bom, assim coloco menos açúcar, e como nosso bolo é pretinho posso colocar mascavo, que vai ajudar na cor e no sabor.

Se é de chocolate, porque colocar achocolatado? 
A palavra já diz ACHOCOLATADO, NÃO chocolate. E sim um monte de açúcar e outras coisas que eu nem sei o que é. Descobri isso lendo os ingredientes no rótulo, podíamos ler sempre e descobrir do que são feitos esses “alimentos empacotados”. Vamos usar cacau ou no máximo chocolate em pó.

Leite? Nada de caixinha, afinal leite é líquido, ficaria melhor numa garrafinha e na geladeira do supermercado, para não estragar. Se não tiver usa água mesmo. Um fermento para crescer, que mais tarde vamos mudar também porque hoje todos os fermentos de bolo são transgênicos. Mas disso falamos depois. Mistura tudo e voilá... temos um bolo de chocolate!

Simples assim, explicando para a criança, fazendo junto, ela vai adorar a delícia de ver um bolo feito por ela. E adulto é a mesma coisa viu? Nunca vou esquecer de uma aluna minha, jovem, bonita, mas que nunca tinha feito nada na cozinha. Quando viu seu bolo pronto, caiu em lágrimas, nem deixou cortar, porque queria levar para os pais verem o que ela tinha feito.

“Não mude hábitos, mude Ingredientes! Promover mudança alimentar, é isso. Pegar na mão e trazer, sei que é difícil, porque já queremos mudar tudo de uma vez, mas minha sábia avó já dizia. “Não dê um passo maior do que a perna”.

Comer é um prazer, muito ligado a carinho, amor, lembranças. Mexer com isso requer paciência e altruísmo. Mas ver aquele “serhumaninho” desenvolver e querer entender mais sobre a Consciência na Alimentação não tem preço.

Vamos ser menos especialistas e mais especiais nesta caminhada?


Aqui vão mais algumas ideias?


Quer a receita do bolo de chocolate? Clique aqui.

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